Art Paradise: diálogo e inclusão

Art Paradise: diálogo e inclusão

Adolescentes criam clube de  artes em Mamanguape (PB) e enchem os muros da cidade de mensagens inclusivas e inspiradores para toda a comunidade

Com o intuito de acolher os problemas trazidos pelos colegas no ambiente escolar,  sete estudantes do 1° ano do Ensino Médio da Escola Cidadã Integral Técnica (ECIT) João da Matta Cavalcanti de Albuquerque, no município de Mamanguape (PB), criaram um clube de artes, o Art Paradise (Arte do Paraíso, em tradução livre), para expressar seus anseios nas mais diversas expressões artísticas.

“Víamos muitos colegas no colégio que sofriam de depressão ou ansiedade, porque temos uma cobrança muito forte. Então, pensamos em usar desenhos e frases para transmitir mensagens positivas e inspiradoras”, comenta uma das fundadoras do clube. Mikaelly Silva, de 15 anos.

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Estudantes criaram um mural com linguagem de sinais para trabalhar a inclusão escolar

Estudantes criaram um mural com linguagem de sinais para trabalhar a inclusão escolar

A princípio, os encontros se destinavam à produção e troca das técnicas artísticas que cada um já possuía, mas só era demonstrada nos exercícios escolares. “A gente queria mostrar que desenhos eram mais do que simples traços no papel e que eles têm a capacidade de mudar pensamentos e visões de mundo”, diz o estudante Pedro Souza, 16, outro dos fundadores do Art Paradise.

Valores e trabalho em equipe

A ideia do clube surgiu quando Mikaelly produziu um desenho a partir do tema da humildade, onde ela representava um adulto dobrando-se para calçar a sandália em uma criança cabisbaixa.

Mais tarde, a obra da jovem foi transposta no muro da escola estadual vizinha, a E.E. Gustavo Fernandes, tornando-se a primeira ação concreta do clube e inspirando novos alunos a participarem. Animados, Pedro e os jovens Isaac Vasconcelos, Jaaziel Sousa, João Figueiredo, Sandro Júnior e Marcos Henrique de Lima se juntaram à colega na formação do Art Paradise.

O ímpeto do grupo era tamanho que passaram a realizar reuniões semanais (e mesmo outras extraoficiais) e promover atividades sempre no contraturno das nove aulas diárias que ocupam manhã e tarde dos estudantes da escola técnica.

Estudantes em frente ao painel que pintaram na escola

Estudantes em frente ao painel que pintaram na escola

Muito além dos muros da escola

Além dos desenhos – principal manifestação trabalhada pelo coletivo e que ocupou as paredes de Mamanguape, as demais intervenções do grupo eram baseadas em pilares temáticos, como honestidade e inclusão.

Foi a partir das provocações da professora de Filosofia, Jussara dos Santos, por exemplo, que eles refletiram sobre os problemas cotidianos mais latentes da escola e perceberam que o clube de artes por si só ainda estava vago. “Os encontros apenas para desenhar já não pareciam mais tão motivadores aos estudantes, que decidiram fazer uma pesquisa de campo com os colegas e familiares até chegarem a esses temas”, explica a educadora.

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Assim, o coletivo de estudantes promoveu um concurso interno de desenho na escola e criou a instalação “Caixa de Pipoca”. O experimento, registrado em vídeo, consistia em uma barraquinha de pipocas self-service, em que cada saquinho custava 1 real. Alunos, professores ou funcionários poderiam se servir do alimento, deixando o dinheiro ali mesmo, sem nenhum responsável para conferir ou dar o troco.

“Foi com a Caixa de Pipoca que estudamos sobre a honestidade no colégio e em nenhum momento deu ‘rolo’. E as pessoas sequer perceberam que nós estávamos gravando a intervenção”, relembra, com orgulho, o estudante Pedro Lucas.

Inclusão e participação

Ao longo de todo o ano de 2018, os alunos desenvolveram um maior senso de pertencimento e solidariedade. Promovendo ações na ECIT João da Matta Cavalcanti de Albuquerque, os estudantes lidaram com o desafio da comunicação entre dois estudantes surdos e o restante dos colegas. Como alternativa, o Art Paradise pintou todo o alfabeto da Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) no muro da escola para que todas as pessoas pudessem se familiarizar com o idioma.

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Apesar de as intervenções do projeto terem sido interrompidas, a professora-madrinha Jussara, ressalta que a continuidade do Art Paradise já é uma demanda da comunidade de Mamanguape. “As pessoas chegam até mim e dizem: ‘olha, vocês têm que fazer o projeto de novo, as ações eram muito boas’. São pais, professores e alunos de outras escolas que também foram impactados. Os clubes juvenis devem ter o protagonismo dos estudantes e a gente teve uma experiência muito boa para que o clube continue na ativa”, defende.

 

Redação: Enio Lourenço

Edição: Jéssica Moreira

Imagens: Divulgação

 

3 Comentários
  1. Um projeto de tive diversas ações dentro e fora da escola.

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