Jovens preservam patrimônio negro da Bahia ouvindo a comunidade

Jovens preservam patrimônio negro da Bahia ouvindo a comunidade

Premiada no Desafio Criativos da Escola 2019, iniciativa busca valorizar a história dos negros e combater preconceitos na região ao ouvir a comunidade; o estado da Bahia segue sendo representado em todas as edições da premiação 

O município de Rio do Antônio, localizado a cerca de 700 quilômetros da capital do estado da Bahia, possui até hoje resquícios deixados da época da escravização no Brasil. O período deixou marcas que podem ser notadas na realidade na cidade, inclusive em sua arquitetura. Por isso, ao constatarem que boa parte das casas – em que morava a população negra que foi escravizada – estava em ruínas, alunas do 9° ano do Ensino Fundamental do Centro de Educação Municipal Florindo Silveira se questionaram: trazer à tona esse passado de dor e desrespeito ajudaria a quebrar os preconceitos ainda existentes nos dias atuais? Foi assim que surgiu o projeto “Filhos do deserto: um resgate histórico”, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, de 2019, iniciativa do Instituto Alana.

Conheça os premiados do Desafio Criativos da Escola 2019

 Com o apoio das professoras, as alunas iniciaram um processo de pesquisa junto aos moradores da região para entender mais sobre as histórias desses espaços, chamados de “casas de escravos”. Para desbravar esse universo de informações históricas, elas visitaram três residências – bastante degradadas – construídas há quase 200 anos e que foram usadas como “casa grande e senzala”. Em uma delas, as adolescentes  descobriram lendas sobre potes de ouro enterrados. Para dar vazão à riqueza desses novos conteúdos, perpetuar e espalhar as memórias físicas e culturais, as alunas preparam dossiês, em áudio e vídeo, sobre essas visitas.

Estudantes ouvem moradoras e moradores da comunidade para resgatar história/ Divulgação

Estudantes ouvem moradoras e moradores da comunidade para resgatar história/ Divulgação

A compilação desses materiais deu origem a um livro digital, que já está disponível para o público. Mesmo com a publicação do e-book, o projeto segue a todo vapor: agora, as meninas planejam atividades para lembrar a luta da comunidade negra durante o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesta ocasião, elas pretendem chamar a atenção do poder público sobre a importância de preservar e tombar essas casas, para que a trajetória dos povos negros seja motivo de reflexão e não de esquecimento. A partir do resgate dessas memórias, elas esperam contribuir com a redução dos casos de racismo e preconceitos na região que ainda se manifestam contra a população afro-brasileira.

“Resgatar sua afro-descendência é algo muito bom, e tornar isso em um e-book é melhor ainda. Visitar um local que causa emoção, causada pela empatia, se colocando no lugar dos africanos que foram escravizados ali é um grande aprendizado”, aponta a estudante premiada no Desafio Criativos da Escola em 2018, Mércia Sena, cocriadora do projeto “Cabelo, Autoestima e Construção da Identidade da Menina Negra” e uma das juradas do Desafio 2019. 

De Rio do Antônio para Roma!

Agora, três estudantes e um professor orientador da iniciativa embarcam, em novembro, para Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Como parte da premiação deste ano, os sete grupos premiados participarão da Conferência Global “Eu Posso”  (I Can) – com a presença do Papa Francisco, de artistas e demais lideranças mundiais – onde vão compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros 2 mil estudantes de todo o mundo. Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$1.500,00 para o projeto e R$500,00 para o educador.

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