Criativos da Escola | Estudantes criam podcast e resgatam história do movimento LGBTQIA+
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Estudantes criam podcast e resgatam história do movimento LGBTQIA+

Temas

  • cidadania e direitos humanos
  • bullying e discriminação
  • ciência e tecnologia
  • educação
  • gênero e sexualidade

Sertanópolis - PR

Ano de Inscrição: 2020

status Premiado

ODS

03/06/2021 - Por Andrea Costa

Iniciativa usa a comunicação para discutir sobre sexualidade e gênero dentro e fora da escola.

Junho é conhecido mundialmente como o mês do Orgulho LGBTQIA+*. A data marca o aniversário da revolta de Stonewall, de 1969, uma série de manifestações contra a violência policial e a exclusão política e social sofrida por toda a população LGBTQIA+ dos Estados Unidos. Stonewall é considerado um dos marcos mais importantes para luta de direitos LGBTQIA no ocidente.

Nos últimos anos, questões relacionadas ao gênero e à sexualidade vêm ganhando cada vez mais espaço no debate da luta por direitos. Porém, o assunto ainda é considerado um tabu para a sociedade, inclusive nas escolas, que são os principais espaços de formação para cidadania e diversidade, e fundamentais na socialização de crianças e adolescentes. 

Então, para pautar a diversidade no ambiente de ensino e desconstruir estereótipos vinculados à população LGBTQPIA+, estudantes da Escola Estadual Monteiro Lobato, de Sertanópolis (PR), desenvolveram o projeto MAR(SHE)-SE: de 1969 a 2020, uma história de conquistas e desafios do movimento LGBTQPIA+. A iniciativa foi premiada no Desafio Criativos da Escola 2020.

Um projeto sentimental, artístico e expressivo

O projeto se iniciou a partir do interesse do estudante Leandro Nunes pela história do movimento LGBTQIA+. Ele se inspirou na trajetória de Marsha P. Johnson – mulher negra, trans e símbolo da resistência do movimento para se aceitar e se assumir como homem gay.  “O tema surgiu da minha vontade de me ancorar nas histórias de pessoas importantes pra me sentir protegido e com a obrigação de disseminar os conteúdos sobre o movimento LGBTQPIA+ no Brasil e no mundo.”

Com o apoio de educadores e de colegas engajados pelo tema, o conhecimento de Leandro sobre a vida e trajetória de Marsha e outras personalidades foi crescendo. E, a partir de pesquisas bibliográficas e científicas, os estudantes se aprofundaram nas questões ligadas a orientação sexual, identidade e expressão de gênero, legislação e políticas públicas, além das conquistas históricas do movimento.  

A pesquisa foi tomando proporções grandiosas, envolvendo história, ciências sociais e até mesmo saúde pública. Leandro conta que tinha receios, pois estava mais acostumado a pesquisar sobre ciências da natureza. Porém, com o trabalho em equipe, foi possível sair com segurança da sua zona de conforto: “Eu tinha muito medo [de pesquisar e produzir conteúdos em ciências humanas], principalmente, porque não era a minha área. Mas tive muita ajuda dos meus amigos, da minha orientadora e do meu co-orientador, o Gabriel Garcia, que é um historiador fantástico.”

Para compartilhar os resultados da pesquisa, aconteceram chamadas de vídeo entre educadores, alunos e uma equipe multidisciplinar formada por pedagogas e psicólogas da região. O feedback foi super positivo e engajou os profissionais presentes para a necessidade de abordar estes assuntos no seu cotidiano para desmistificar preconceitos sobre gênero e sexualidade.

Print de uma chamada de vídeo com 23 participantes.

Apresentação da pesquisa para o corpo escolar | Divulgação.

Diante do sucesso dessa primeira apresentação, Leandro foi incentivado pela orientadora a expandir suas pesquisas e, com a ajuda de um grupo de amigos, conscientizar cada vez mais pessoas acerca de temas históricos e sociais importantes que perpassam a história do movimento LGBTQIA+. 

“Além da temática do Movimento LGBTQIA+, o projeto se refere à cidadania e aos direitos humanos”, comenta a professora e orientadora Francislene Sabaini. E acrescenta: “ampliar o acesso a essas informações, que foram bem fundamentadas de forma pedagógica pelo aluno, pode proporcionar conhecimento para desmistificar alguns mitos preconceituosos, principalmente no corpo escolar, para que todos os indivíduos possam ser acolhidos em todas as esferas da sociedade”.

Comunicação e educação andam juntas

Entre tantas possibilidades, como escolher o formato mais adequado para o projeto? Leandro relata que foi uma decisão muito espontânea, principalmente por ser musicista: “Estou muito por dentro do que acontece no mundo do áudio e da música. Então, o meio que a gente escolheu foi o podcast. Eu gravei uma prévia em uma madrugada e mandei para a professora e ela falou que estava sensacional.”

Assim, surgiu o MAR(SHE)-SE: podcast com uma série de 12 episódios, que contam a história do movimento LGBTQPIA+, as personalidades que fizeram e ainda fazem militância pela causa, lutas e conquistas, entre outros assuntos não menos relevantes. Os conteúdos em áudio estão disponíveis no site do projeto e em agregadores de podcasts, como o Spotify. 

Foto de um céu em tons de lilás e nuvens cor de rosa. No centro, o desenho de um livro aberto ao meio. Um arco-íris sai de uma das páginas e vai a outra. Acima do desenho, está escrito em letras brancas "podcast: mar(she)-se".

Podcast Marshe-se | Foto: Divulgação.

Por ser uma mídia de fácil acesso, o podcast permite que ouvintes acompanhem as publicações de forma intuitiva. Assim, é possível que estudantes e educadores compartilhem e utilizem o material para trabalhar a discussão sobre gênero e sexualidade de maneira contextualizada e interdisciplinar. 

Para a professora Francislene, foi fundamental utilizar os meios digitais para facilitar o alcance às informações presentes no projeto, principalmente em um contexto de ensino online com estudantes hiperconectados. “Hoje, a gente vê como as TDICS (Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação) têm proporcionado inúmeras formas de acesso ao conhecimento no ambiente escolar”, ela comenta.

Doze retângulos coloridos estão dispostos em 2 colunas e 6 linhas. Todos eles contém o desenho da silhueta de algum(a) artista LGBT.

Os episódios do podcast Mar(SHE)-se. Foto: Divulgação

Pequenos passos podem gerar revoluções

Sobre a importância de trazer informações sobre a história do movimento LGBTQIA+ de forma didática e atrativa? Leandro chama atenção para a rapidez do impacto gerado pela iniciativa: “A gente sabe que pequenos passos podem gerar revoluções. Mas, muitas vezes, as pessoas que criam tais revoluções não as veem. E eu estou tendo essa possibilidade incrível de ver o resultado do projeto e receber tantas mensagens de apoio, de carinho e de superação.”

Hoje, o estudante recém ingressou na universidade. Embora tenha novos projetos e demandas no dia a dia, ainda existem planos para ampliar, cada vez mais, o alcance do podcast. “Agora, estou tentando me estabilizar na graduação, mas pretendo submeter o podcast a parcerias com algumas empresas para continuar o projeto”.

*A sigla LGBTQIA+ significa: lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, transgênero, queer, intersexual, assexual e demais pessoas que não se sintam representadas por nenhuma das outras oito letras.

Você conhece algo da história do movimento LGBTQIA+?

Redação: Andréa Xavier
Edição: Helisa Ignácio

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