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Alunas desenvolvem app para instigar o interesse por ciência e tecnologia

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Print de tela de um computador em uma chamada de vídeo entre quatro adolescentes
Print de tela de um computador em uma chamada de vídeo entre quatro adolescentes

São Bernardo do Campo - SP

Ano de Inscrição: 2020

status Premiado

ODS

11/02/2021 - Por Criativos

De diferentes estados, quatro adolescentes se juntam, virtualmente, para incentivar maior participação de meninas na área de exatas.

Em 2015, a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. Essa medida tem como objetivo promover maior equidade de gênero, uma das propostas da Agenda 2030.

Cada vez mais, tem se reconhecido que o acesso de homens e mulheres às oportunidades de trabalho e valorização das suas carreiras são muito desiguais. E quando falamos na área das Ciências, essa problemática fica ainda mais evidente: menos de 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres, de acordo com o Instituto de Estatística da Unesco.

Porém, esse cenário está começando a mudar. Graças a movimentos e projetos de democratização do conhecimento, de empoderamento feminino e de incentivo à participação de mulheres em STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), mais meninas estão se inspirando a seguir carreiras científicas em diversos locais. 

O Projeto ConquiSTEM é uma dessas iniciativas e foi premiado no Desafio Criativos da Escola de 2020. Com vivências bem diferentes, Ana Beatriz do Carmo (de Piripiri – PI),  Luísa Santi  (de São Bernardo do Campo – SP), Natalhia Viana (do Rio de Janeiro – RJ) e Sara Borges (de Uberaba – MG) se conectaram por um sonho em comum: incentivar que mais crianças e adolescentes se interessem por ciência e tecnologia.

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Elas se conheceram em um curso online Empodera, oferecido pelo projeto social ElaSTEMpoder. Logo descobriram interesses em comum e se conectaram. Ana Beatriz comenta como as ferramentas online foram essenciais para essa união a distância.

“Foi no grupo de interação [do curso] que nos conhecemos e depois formamos nosso próprio grupo de WhatsApp. Ficamos um bom tempo conversando sobre ideias para fazer o projeto. Como somos de regiões diferentes, marcamos muitas reuniões por vídeo chamada.” 

Ana Beatriz, Projeto ConquiSTEM

 

Arte com o fundo rosa escrito ConquiSTEM em branco. Entre as letras, estão desenhadas engrenagens, o busto de um robô e um braço mecanico, todos em azul.

Logo do projeto ConquiSTEM

Subvertendo um ciclo

Com muita experiência em feiras científicas, projetos de sustentabilidade e olimpíadas de conhecimento, as integrantes do grupo sabem da importância dos estudos em STEM para a sociedade. Essa área possibilita criar  soluções para problemas urgentes – como as mudanças climáticas e a exploração irresponsável dos recursos naturais -, além de incentivar o desenvolvimento de habilidades essenciais, como comunicação, criatividade e protagonismo.

A ideia do projeto surgiu, porque as estudantes sentem que, nas aulas tradicionais, pouco se discute sobre os usos do conteúdo estudado nessas matérias. “Acho que uma das maiores questões que inspirou a gente, foi a falta de acesso a informação sobre a área de STEM para as pessoas. Eu, particularmente, não sabia o significado dessa sigla antes de entrar no curso”, conta Natalhia, de 16 anos.

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O problema fica ainda mais delicado quando se fala da desigualdade de gênero que marca a área há muitos anos. É o que a Sara, de 16 anos, nos ensina: “Desde sempre, foram os homens que escreveram a história. Eles que decidiam o que iam falar sobre teorias científicas e outros materiais. Muitas criações, descobertas e escritos femininos foram “apagados”, fazendo com que a gente ficasse bem menos reconhecida e fazendo parecer que a gente, mulher, não tinha interesse.”

As consequências do machismo na ciência seguem impactando meninas e mulheres até hoje. As estudantes realizaram pesquisas com colegas de diversas regiões do país e constataram que 57% das meninas entrevistadas desistem de seguir uma carreira de STEM simplesmente por serem minoria na área.

As adolescentes reconhecem diferentes maneiras que a nossa sociedade contribui para a manutenção dessa desigualdade. “Estereótipos de que meninas não podem ou não devem seguir áreas científicas são reforçados pela mídia, por professores e familiares, o que acaba diminuindo o interesse das meninas na área ou até fazendo com que elas desistam de carreiras dominadas por homens”, conclui Luísa, de 17 anos. 

Sara acrescenta: “É um ciclo isso: quanto menos mulheres entram [nos ambientes de estudos científicos e tecnológicos], menos elas representam e então menos querem entrar. Eu participo muito de olimpíadas científicas e sinto bastante o impacto quando vou fazer uma prova ou vou em premiações e são muito menos meninas. Você sente até que esse não é o seu lugar.”

A Ciência pode ser divertida

Dado esse contexto, as integrantes do projeto acreditam que a solução seria tornar os conteúdos do STEM mais interativos e atrativos para crianças e adolescentes, desmistificando, assim, os estereótipos de que cientista só pode ser homem. “Se no ensino fundamental tivessem me incentivado e me mostrado que a área de Ciências e Tecnologias também era pra meninas, eu acredito que a minha caminhada até descobrir o que eu realmente queria e quero fazer, seria muito mais fácil e seria muito mais aceita pelas pessoas ao meu redor”, conta Natalhia.

Para isso, elas estão desenvolvendo um aplicativo com jogos, desafios, competições e conteúdos complementares sobre diferentes carreiras na área de STEM. “Acredito muito que o nosso app tem potencial para disseminar conteúdo de forma divertida. A gente pretende fazer o app para as pessoas também tenham esse instinto de querer aprender mais”, explica Ana Beatriz, 17 anos.

 

Desenho de três celulares com telas mostrando o menu, a pagina de abertura e a pagina de perfil de usuários de um aplicativo.

Protótipo do aplicativo ConquiSTEM

A confiança e apoio da família e dos educadores, por exemplo, tem feito toda a diferença. O professor Calor Eduardo, orientador do projeto, frisa a importância de dar espaço para que estudantes criem a partir de suas habilidades e visões de mundo: “Na minha visão, é muito enriquecedor identificar o potencial que essas jovens têm para transformar as suas próprias comunidades. Cada detalhe mostra e representa quem elas são e o que acreditam.”

Mesmo com o projeto ainda em fase de desenvolvimento, as amigas já reconhecem alguns impactos positivos da iniciativa em suas vidas. “É muito gratificante poder saber que eu estou fazendo parte de algo tão incrível assim, que eu estou iniciando algo que vai mudar a vida e visão de mundo de crianças e jovens e levar esperança para eles, assim como esse projeto mudou a minha visão.” Conta Natalhia.

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Ações para o futuro

Quando for seguro, elas pretendem realizar oficinas e workshops em escolas de todo o Brasil para mostrar a área de STEM de forma mais prática por meio de experimentos, competições e tarefas de investigação. Sara acrescenta: “vamos usar alguns materiais reciclados para fazer por exemplo foguetes de garrafa pets e outros experimentos que incentivem a reutilização de materiais e preservação do meio ambiente”.

Por enquanto, elas seguem firmes no desenvolvimento do app e no planejamento desses eventos. Luísa nos conta que o próximo passo será um evento online que vai acontecer nos próximos meses. “Estamos em um processo de planejamento, mas o eixo temático será sustentabilidade”, ela explica. Elas têm usado as redes sociais para publicação de diversos conteúdos. Confira:

Redação: Andréa Xavier
Edição: Helisa Ignácio

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