Como estudantes de Sapiranga (RS) estão falando de gênero nas escolas

Como estudantes de Sapiranga (RS) estão falando de gênero nas escolas

Premiadas no Desafio Criativos da Escola 2019, alunas realizam debates sobre igualdade de gênero e garantem a participação do Rio Grande do Sul pela quarta vez seguida na premiação 

Quase cinco milhões de mulheres foram agredidas no Brasil em 2018, o que equivale a 536 vítimas por hora, segundo levantamento realizado pelo Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. No país, os casos de feminicídio passaram de 1170, ou seja, uma média de três vítimas por dia, segundo o Monitor da Violência.

Esses dados alarmantes e estarrecedores sobre a violência contra a mulher inquietaram três alunas do 8º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Emília de Paula, em Sapiranga (RS). Para mudar essa triste realidade de violência e propor o fim dessa situação, as alunas deram início ao clube feminista “E se fosse com você?”, um dos premiados na 5ª Edição do Desafio Criativos da Escola, de 2019, iniciativa do Instituto Alana.

+ Conheça os premiados do Desafio Criativos da Escola 2019

Após compartilharem entre si os casos de violência doméstica sofrida por suas avós, as alunas se questionaram sobre como essas ocorrências ainda afetavam as mulheres da nova geração. Para entender como agir, fizeram uma pesquisa e perceberam que a união era a melhor forma de empoderamento e combate ao feminicídio.

Por isso, convidaram alunas de todas as turmas para participarem do clube feminista, um espaço seguro para falar sobre igualdade de gênero e da luta das mulheres no Brasil. A iniciativa teve apoio de uma psicóloga, que conversou sobre relacionamentos abusivos e assédio no ambiente escolar e, também, de uma advogada, que orientou as jovens sobre como proceder em casos de agressão.

Projeto criado por meninas, discute questão de gênero em escolas

Projeto criado por meninas, discute questão de gênero em escolas

Munidas desses argumentos, as meninas partiram para a conscientização junto aos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tanto da própria escola quanto de colégios do município vizinho de Nova Hartz, em uma atividade chamada “Hora do Conto”, ação de leitura de obras infantis como “Frida Kahlo: para meninas e meninos” e “O fusquinha cor-de-rosa”.

A mobilização foi bem recebida e ganhou o apoio dos alunos, que também se apropriaram da pauta e saíram em defesa da causa. Atualmente, as fundadoras do Clube estão em busca do apoio da Secretaria Municipal de Educação e da Câmara de Vereadores, para a criação de um projeto de lei que ampare e promova a discussão sobre o combate à violência contra a mulher nas escolas.

“Quando o jovem estudante de escola pública tem em sala de aula o debate sobre igualdade de gênero, ele tem a oportunidade de refletir diretamente sobre as situações cotidianos vivenciadas dentro e fora do ambiente familiar e convívio social.  Além do processo formativo, esse projeto possui um impacto geracional que pode contribuir para formar uma nova geração de homens e mulheres com um senso crítico apurado acerca do feminicídio”, é o que diz um dos jurados do Desafio 2019, o jornalista Ronaldo Matos. 

De Sapiranga para Roma!

Agora, três estudantes e um professor orientador da iniciativa embarcam, em novembro, para Roma, na Itália, com a equipe do Criativos da Escola. Como parte da premiação deste ano, os sete grupos premiados participarão da Conferência Global “Eu Posso”  (I Can) – com a presença do Papa Francisco, de artistas e demais lideranças mundiais – onde vão compartilhar suas experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros 2 mil estudantes de todo o mundo. Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$1.500,00 para o projeto e R$500,00 para o educador.

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