Alunos misturam arte e física e mudam forma de aprender no RJ

Alunos misturam arte e física e mudam forma de aprender no RJ

O Show da Física existe desde 2013 mudou a forma como os estudantes entendiam a disciplina 

Incomodado com a resistência de seus estudantes na hora de aprender disciplinas ligadas às ciências exatas, o professor de física André de Oliveira, do C.E. Erich Walter Heine, no Rio de Janeiro (RJ), resolveu provocá-los a partir de uma ideia: e se, juntos, vocês criassem um espetáculo interativo trazendo esses temas de uma maneira simples e de fácil compreensão para crianças e jovens?

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Os alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio prontamente se empolgaram e iniciaram um grande mergulho no mundo de experimentos, surgindo, assim, o projeto multidisciplinar “Show de Física, um espetáculo que inspira”.

Criada em em 2013, a iniciativa teve sua inspiração nas aulas dinâmicas realizadas por estudantes universitários da USP (Universidade de São Paulo), durante um simpósio sobre o tema. Mesmo sem recursos no laboratório, os meninos e meninas criaram os experimentos, lançando sua própria versão do espetáculo, que, em 2020, completa sete anos e já impactou centenas de estudantes.

“Quando eu vi a apresentação pela primeira vez fiquei maravilhado. São vários experimentos que tratam de várias coisas diferentes e, conforme tu vai avançando na escola, tu consegue compreender melhor a matéria lembrando do show”, conta um dos participantes da iniciativa, o estudante recém-formado Lucas Godoy, que aprendeu noções de eletricidade e densidade por meio das apresentações.

O Show da Física inovou a forma de aprender ciências exatas na escola/Divulgação

O Show da Física inovou a forma de aprender ciências exatas na escola/Divulgação

Rindo se aprende 

O primeiro passo foi selecionar conteúdos de física que poderiam ser transformados em números de um show, como, por exemplo, eletricidade, calor ou mecânica, e colocá-las em uma apresentação multimídia reunindo teatro, música, e dança.

Com muita interação, a plateia sobe ao palco, participa e, de forma dinâmica, tem acesso às equações que envolvem os conceitos que serão tratados em experimentos. Um deles, por exemplo, é a cama de pregos em que se discute o conceito de pressão, mostrando sua relação com a força aplicada.

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“É bem mais fácil aprender algo saindo da teoria e indo pra prática. É diferente aprender ver algo com seus próprios olhos em vez de ouvir alguém explicando”, diz Ana Carolina, também recém-formada da escola e participante do projeto. 

O Show de Física foi fundido também a uma outra ideia da mesma unidade escolar, o “Sarau ComCiência Negra”, trazendo para o espetáculo discussões sobre o papel da mulher e do negro nas Ciências e também apresentando cientistas importantes que nem sempre são citados durante as aulas regulares.

“Nosso texto dramatúrgico se expandiu e passamos a tratar da participação da juventude negra na produção científica como forma de combate à desigualdade e também analisamos o o papel da mulher na ciência, usando a vida da cientista Marie Curie, por exemplo”, diz André, que acredita que os alunos passaram a refletir muito mais sobre os impactos positivos da participação da juventude negra na produção científica do país e do mundo.  

Estudantes durante espetáculo que une física e arte/ Divulgação

Estudantes durante espetáculo que une física e arte/ Divulgação

Além de contribuir com o aprendizado na disciplina de física, a iniciativa tem promovido habilidades importantes nos estudantes, como falar em público e trabalhar em equipe.”Participar do show da física me impactou de diversas formas. Tanto na parte de aprender mais Física e Química, quanto no [quesito] pessoal também, porque lá a gente conhece pessoas novas, fica bastante tempo junto no laboratório da escola para realizar os projetos”, conta Lucas.

Diante do alto número de buscas, hoje em dia o grupo realiza um processo seletivo dentro da escola para quem quer se integrar à ideia. Basta a pessoa apresentar uma experiência de física que pode, no futuro, se tornar parte do show.

Reconhecimento 

Existente há quase sete anos, o show se tornou um projeto de extensão da escola, atualizado constantemente por meio da chegada de novas turmas, já que o espetáculo é apresentado no primeiro dia de aula, servindo também como ferramenta de integração entre as diferentes gerações.

Contemplado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o projeto pode multiplicar o método, apresentando-o em várias escolas do Rio de Janeiro e de municípios vizinhos, assim como em universidades e eventos científicos, chegando a alcançar o terceiro lugar da Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro

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