Uma floresta na cidade

Uma floresta na cidade

Estudantes de Queimadas (BA) criam viveiro de mudas destinado a cultivar, distribuir e plantar árvores no município.

A cidade de Queimadas, a 300 quilômetros de Salvador (BA), está mais verde. O colorido faz parte de um projeto de alunos de três escolas – Colégio Municipal de Queimadas, Colégio Estadual Santo Antônio das Queimadas e Colégio Sônia Maria Silva –, que se uniram para criar a iniciativa “Floresta Urbana”, que organiza o plantio responsável de árvores dentro do município.

quatro_jovens_realizando_plantio_ao_por_do_solO projeto já foi responsável pelo plantio direto ou pela doação de mais de 2400 mudas de árvores como mulungus, tamarineiros e outras espécies. “Sem árvores na cidade, não dá para fazer muita coisa. Agora, já consigo notar as mudanças andando pelas ruas”, diz o aluno Pablo Souza, do 9º ano do Ensino Fundamental.

O Floresta Urbana, criado pelos alunos junto à ONG Associação Ambiental Comunitária de Ecopatrulha, é responsável por um viveiro de mudas que são distribuídas de diferentes formas: os cidadãos que se comprometerem com os cuidados, por exemplo, podem solicitar até duas plantas que serão entregues em suas casas ou ruas.

O grupo também faz mutirões para a plantação em propriedades maiores. “Além disso, quando percebemos que um espaço precisa de árvores, como foi o caso do antigo Horto Florestal da região, que atualmente está em desuso, organizamos uma ação para ressignificar o local”, conta o educador de meio-ambiente Aslam Santos.

 

duas_jovens_agachadas_ao_lado_de_várias_mudasDo cinza ao verde
A ideia surgiu a partir de uma conversa em um grupo de estudos, que ocorre no contraturno escolar, sobre o que cada um gostaria de melhorar no local em que vive. Os problemas ambientais apareceram entre os que mais afligiam os jovens, como lembra o professor Aslam: “pedimos uma tarefa para casa em que os alunos deveriam elencar o que gostariam de transformar na cidade. A partir disso, escolhemos a questão ambiental para fazer um enfrentamento social”.

O caminho escolhido por eles foi aumentar o número de árvores nos espaços que frequentam. Em atividade desde março de 2016, o “Floresta Urbana” foi selecionado como um dos finalistas do Desafio Criativos da Escola do ano passado.

 

Preparando o terreno
“Sempre achei que na nossa região faltava mais verde: em todas as casas, nas ruas, pois mesmo sendo perto da mata,crianças_e_adultos_agachados_e_plantando_uma_muda era muito seco”, explica o estudante Layson Guilherme, que cursa o 2º ano do Ensino Médio técnico em zootecnia. “Todos sentiam isso, mas faltava um projeto que transformasse a ideia em prática. Quando começamos a recolher sementes e plantar, a comunidade passou a confiar que aquilo daria certo”, conta.

A cada multirão de plantação, o “Floresta Urbana” busca incluir crianças mais novas, que fazem parte das escolas participantes, nos cuidados com os vegetais. “As ações são importantes para conscientizar os mais jovens sobre termos atenção com a natureza e cuidarmos do nosso planeta”, explica o estudante Layson.

As mudas distribuídas pelo projeto são obtidas através de doações de parceiros como a Secretaria Municipal de Educação e vizinhos que acreditam na proposta. Segundo o professor Aslam, que coordena a atividade, também há mudas cujas sementes foram plantadas no viveiro do “Floresta Urbana”, que agora já estão grandes o suficiente para serem transferidas para a cidade.

 

seis_crianças_e_uma adulta_plantando_uma_multaDesafios para uma cidade mais verde
Os alunos são responsáveis, ainda, por organizar a logística das plantações. “Contamos com o jogo de cintura dos jovens para que entendam o quanto cada ação demanda organização”, afirma o professor. Carrinhos de mão, ferramentas, e a interação com a escola e a prefeitura são responsabilidades dos alunos.

Entre as principais dificuldades ainda enfrentadas pelo projeto estão a arrecadação de recursos para manutenção da iniciativa. O professor explica que é difícil manter um grande número de crianças engajadas quando, muitas vezes, os participantes precisam investir recursos próprios para que ele continue existindo. O viveiro de mudas, por exemplo, é mantido dentro da casa do coordenador do projeto, e os alunos se revezam para molhar e tomar conta das plantas. “É uma luta muito difícil, mas justa”, conclui Aslam.

 

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Redação: Júlia Matravolgyi
Edição: Gabriel Maia Salgado
Imagens: Divulgação

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