Sementes do cerrado

Sementes do cerrado

Estudantes em tempo integral de Planaltina (DF) mantém viveiro de mudas nativas para contribuir no reflorestamento do Cerrado

 

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, ocupando cerca de 22% do território brasileiro e incidindo sobre 12 estados federativos. Em relação à diversidade biológica, não fica atrás de nenhum outro: possui mais de 11 mil plantas já catalogadas. Entretanto, o tamanho da sua riqueza é proporcional à degradação que tem sofrido nos últimos anos. De acordo com mapeamento realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgado em 2018, o desmatamento atinge 51% da região.

É justamente nesse contexto que está inserida a Escola Classe Córrego do Meio, localizada em Planaltina (DF). Com educação em tempo integral, a escola estadual se situa dentro do perímetro da Bacia Hidrográfica do Rio Bartolomeu, uma das principais fontes de água que abastecem o município de Brasília (DF).

Para contribuir na preservação e recuperação desse patrimônio natural, a direção da escola incentivou estudantes e professores a criarem um viveiro de mudas nativas do Cerrado no ano de 2017. Como resultado, os estudantes estão cada vez mais engajados na manutenção do viveiro e no reflorestamento do Cerrado.

Professora e estudantes revitalizam cerrado por meio de viveiro

Professora e estudantes revitalizam cerrado por meio de viveiro

Um exemplo é o da aluna Ana Beatriz Bispo dos Santos, do 6º ano do ensino fundamental. “A gente faz as trilhas e nelas tem vários pés que dão sementes. A gente colhe as sementes, coloca em um saquinho e leva para o viveiro. Aí vai aguando e tirando os matinhos que crescem. Em três ou quatro meses as mudas maiores já estão prontas para serem plantadas, mas só as mais grandinhas”, explica Ana Beatriz. Para a estudante, o projeto tem um grande significado:  “eu adoro as plantas e adoro a escola que eu tenho; o Cerrado, para mim, significa tudo”.

A ideia da diretora  Lívia dos Reis Amorim surgiu em diálogo com o Grupo de Caminhadas de Brasília, que se comprometeu com a coleta de sementes, e com o Ecomuseu Pedra Fundamental, que disponibilizou seu território de abrangência para o plantio das mudas.

“A gente resolveu construir o projeto do viveiro, no qual as crianças e as famílias participassem. A prioridade era que a iniciativa se estendesse às casas dos alunos, a outras escolas e também aos proprietários de chácaras. E isso vem acontecendo com bastante êxito”, relata Lívia.

Raízes no campo

Por estar inserida no campo, a escola é formada majoritariamente por filhos de trabalhadores rurais. De acordo com Lívia, grande parte dos alunos vive em algum dos quatro acampamentos ou no assentamento, todos localizados nas imediações do colégio. O nome do assentamento, inclusive, contém uma história trágica relacionada à degradação do meio ambiente. Organizado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), “Pequeno Willian” faz homenagem a uma criança de dois anos que morreu em decorrência da ingestão da água de um riacho contaminado por agrotóxicos.

Justamente para dialogar com essa realidade vivenciada pelas crianças, a escola vem trabalhando com a educação ambiental como eixo central.

Estudantes e professora observam mudas plantadas

Estudantes e professora observam mudas plantadas

A estudante Evelyn Gabrielly Gomes Rocha, também do 6º ano do ensino fundamental, conta com empolgação sobre o que viu: “A gente aprendeu a fazer esterco para as plantas crescerem. Tem que pegar folhas secas, cocô de gado e deixar tudo para secar. Lá no viveiro têm muitas mudas: ipê roxo e amarelo, barbatimão, pequi, jatobá e muitas outras”, elenca Evelyn.

Plantando sementes

Com dois anos de funcionamento, o viveiro já cedeu mudas às famílias dos alunos e a outras 15 escolas de um total de 73 da regional de Planaltina. “Nosso objetivo é doar mudas a todas as escolas, como também incentivar que elas cultivem suas próprias sementes”, conta Lívia.

Além disso, a escola “apadrinhou” quatro nascentes localizadas no seu entorno e tem realizado ações de reflorestamento da mata ciliar do Ribeirão Sobradinho. O objetivo é também semear essa ideia a outras escolas da região.

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Redação: Guilherme Weimann

Edição: Juliana Gonçalves

Imagens: Divulgação

 

1 Comentário
  1. Lindo trabalho!Parabéns professora Lívia, alunos e toda equipe.

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