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Beijei! E, agora?! Estudantes usam redes para falar de educação sexual em SE

Temas

  • educação
  • gênero e sexualidade
  • mobilização comunitária
  • saúde e esporte
Foto em que uma jovem negra se abraça. Ela veste uma camiseta branca e está de olhos fechados e sorrindo.

Canindé de São Francisco - SE

Ano de Inscrição: 2020

status Premiado

ODS

24/06/2021 - Por Criativos

Projeto utiliza múltiplas plataformas nas redes sociais para dialogar com jovens da escola e do município.

Se entender com a própria sexualidade pode ser um processo solitário para os jovens, principalmente se falta abertura dentro de casa ou na escola para compartilhar curiosidades, angústias e dúvidas. É geralmente entre os seus, utilizando linguagem e formas de comunicação próprias da juventude, que eles criam seu círculo de afeto e acolhimento. 

É para falar sobre educação sexual de jovem para jovem que o projeto Beijei! E agora?! foi criado. Uma das premiadas no Desafio Criativos da Escola 2020, a iniciativa é realizada por estudantes do Colégio Estadual Dom Juvêncio de Britto, em Canindé de São Francisco (SE). 

“O projeto Beijei! E agora?! tem como foco os jovens, educadores e pais da nossa comunidade”, explica Ariane Tobias, de 16 anos. “Ele aborda de forma científica e psicoafetiva problemas de saúde e questões de educação sexual como gravidez precoce, abuso sexual, aborto, IST’s, construindo uma visão educacional dos jovens para os jovens.” 

Com um aplicativo desenvolvido e comunicação constante em redes sociais como Instagram e Facebook, o projeto foi desenhado em uma linguagem acessível, para poder estar presente, de fato, na vida dos estudantes e, assim, estabelecer uma comunicação afetiva. 

“Por sermos jovens e também estarmos passando por essas mesmas dúvidas, tentando entender como nos prevenir e nos orientar, nós temos maior facilidade de contextualizar o conhecimento e estabelecer relação e diálogo com nossos colegas. Por isso o projeto deu tão certo!”, complementa Cecília Honorato, de 16 anos. 

O começo de tudo

O projeto teve início em 2019, como desdobramento de uma disciplina eletiva com o mesmo nome e orientada por educadores de Química, Biologia e História. Este corpo docente procurava entender como mitigar as vulnerabilidades do município e da escola em si, como os altos índices de evasão escolar e as questões de machismo e violência sexual. 

Se, no princípio, a ideia foi levantada pelo grupo de professores, não demorou muito para que os estudantes se apropriassem do projeto. Foram os adolescentes que criaram o aplicativo homônimo e também são eles que produzem todo conteúdo virtual. 

 

Tela de uma apresentação em reunião virtual. À esquerda, há um slide com um quiz sobre agressão.

Uma das atividades propostas em conjunto e divididas com os educadores – Crédito: Reprodução

“Nós educadores nos reunimos com eles periodicamente, orientando da melhor forma para que eles possam tomar suas decisões e produzir conteúdos. Somos uma ponte entre os estudantes e onde eles querem chegar. Se precisam de uma comunicação com outra escola, ou com um equipamento do município, o nosso trabalho é de facilitação”, elucida Lark Soany, educadora de Química.

Redes sociais: aliadas da informação

Quando jovens entram nas redes sociais do projeto Beijei! E Agora?, se deparam com uma comunicação voltada especialmente para sua faixa etária. Infográficos, cards e vídeos fazem parte do diálogo com o público. Esse mesmo conteúdo pode ser encontrado no aplicativo totalmente desenvolvido pelos estudantes. 

+ Clique aqui e conheça do Instagram do Beijei! E, agora?!

“As redes sociais são o meio para termos acesso aos jovens não só da nossa cidade ou escola, mas de todo o país. Nos canais, eles podem compartilhar e compreender estes assuntos que muitas vezes são considerados tabus. É de suma importância trazer a educação sexual como parte da formação da sociedade”, detalha Cecília.

O uso das tecnologias ganhou um novo significado durante a pandemia. Diante da impossibilidade de se encontrar virtualmente, os estudantes intensificaram a produção de conteúdo para os colegas em isolamento.

Arte com fundo laranja. Há fotos de duas jovens. Com o texto: O desenvolvimento de projetos do Criativos.

As estudantes Maria Rafaela e Ariane realizaram transmissão ao vivo para falar do projeto – Crédito: Reprodução

“O aplicativo foi desenvolvido em plena pandemia e a maioria dos recursos estava na escola. Isso fez com que o projeto demorasse um pouco e que enfrentássemos alguns desafios, mas ao mesmo tempo, valeu a pena, porque esse esforço se refletiu em um maior alcance e visibilidade”, complementa Ariane. 

Para os educadores, uma das grandes sacadas dos estudantes é que eles conseguem, por meio do aplicativo e das redes sociais, compreender disciplinas, às vezes abstratas, ou com os quais a maioria dos estudantes têm dificuldade de se relacionar, como Química ou Física. 

Lark exemplifica: “Quando os estudantes conseguem relacionar reações químicas aos processos do beijo – ou o que a gente chama de química do amor -, isso torna a disciplina atrativa, mostra que ela está no dia-a-dia.” 

Extrapolar os muros da escola

Para garantir que o tema de educação sexual fosse amplamente discutido na comunidade escolar, tanto os estudantes quanto educadores traçaram uma cuidadosa estratégia de envolvimento das famílias na construção do projeto Beijei! E agora?!

“O projeto foi super bem recebido pelas nossas famílias. Em um primeiro momento, ele foi apresentado para os nossos pais, para que eles também pudessem dar ideias de como poderíamos trabalhar o tema de educação sexual”, adiciona Ariane. Os pais também participam ativamente dos questionários e das atividades propostas pelos estudantes, ajudando a disseminar o conteúdo para suas próprias redes. 

Como as questões que causam evasão escolar no município dizem respeito a todos, não só ao âmbito da escola, o projeto tem realizado eventos virtuais com outras escolas do território. A perspectiva é que, quando a pandemia acabar, os estudantes possam participar mais ativamente dessas discussões em outros espaços da cidade, como equipamentos como o CAPS (Centro de Apoio Psicossocial) , fazendo com que a educação sexual seja um princípio dividido e compartilhado por todos o território.

Redação: Cecília Garcia
Edição: Helisa Ignácio

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