Entre o Diário e a HQ

Entre o Diário e a HQ

Estudantes resgatam a autoestima de um bairro de Belo Horizonte (MG) com história em quadrinhos, criatividade e muito trabalho em equipe

Uma ideia que surgiu dentro da sala de aula e que cresceu à medida que foi sendo regada com grandes doses de criatividade e espírito de equipe. Assim pode ser definido o projeto “Entre o diário e a HQ: estudantes construindo a história de um bairro”, realizado pelos alunos da Escola Municipal Anne Frank, que fica no bairro de Confisco, em Belo Horizonte (MG).

estudantes-fazem-entrevistas-pelo-bairroA semente do projeto surgiu após a provocação de um professor e a percepção sobre como morar no Confisco às vezes se tornava motivo de chacota entre os alunos, já que alguns consideravam o bairro um local ruim para se viver ou um motivo para se envergonhar.

O projeto, que foi finalista do Desafio Criativos da Escola 2017, imprimiu e distribuiu entre moradores do bairro mais de 400 exemplares da HQ. Para a estudante do 9º ano do ensino fundamental, Raianny França, de 14 anos, fazer a história foi um desafio: “ela nunca teria ficado pronta se não fosse a participação de nossos colegas, professores, voluntários e das moradoras”. (Clique aqui e veja mais informações sobre a escola que foi reconhecida, também, como uma das integrantes da rede de Escolas Transformadoras, iniciativa do Instituto Alana e da comunidade global da Ashoka)

 

Entre versões e desenhos
Apesar das dificuldades para desenvolver um projeto novo, a aluna Lara Lopes, de 13 anos, afirma que o projeto mudou sua visão sobre o Confisco. “Eu comecei a ter um outro olhar para o bairro, conheci sua história real. E a HQ ajudou a mostrar para as pessoas que o Confisco viveu uma história de luta, sofrimento, união. E para mostrar para os visitantes que não é uma ‘favela’ como eles pensam que é, e, sim, um bairro comunitário.”

capa-da-revista-em-quadrinhosJá para Raianny, a parte mais difícil da iniciativa foi descobrir quais eram as informações corretas a partir das entrevistas. “Cada moradora tinha uma versão diferente. Então, tivemos que entrevistar várias pessoas e ver o que elas falavam em comum para colocarmos na revistinha”, relata.

Para produzir a HQ, os estudantes se dividiram em diferentes funções, sendo que alguns ficaram responsáveis pelo roteiro enquanto outros se concentraram na criação dos personagens. E claro que Anne Frank, que dá nome à escola, também entrou na história: a adolescente alemã, vítima do holocausto na década de 1940, foi parar no Confisco após entrar em uma máquina do tempo quebrada!

 

Criando quadrinhos, memória e identidade
Um dos orientadores do projeto, o professor de história Moacir Fagundes, relata que ao descobrirem as origens e trunfos do bairro, os alunos se revoltaram ao verem o local sendo tratado pela mídia apenas com manchetes negativas. “Como educador, eu não poderia me omitir diante dessa questão, que está diretamente ligada à memória, pertencimento e identidade”, destaca.

exposiçã-em-ambiente-internoPara além da HQ, o educador conta que os próprios estudantes convidaram repórteres para conhecer de perto o bairro e organizaram uma exposição fotográfica com o local sendo visto por outros ângulos. “Isso é protagonismo juvenil e é nisso que acredito. Não é fácil, porque tem muitas ações ao nosso redor dizendo que essa ideia é ruim, [mas] essa indignação das meninas e dos meninos é muito importante e é ela que transforma posturas”, defende Moacir.

Recebendo também o Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos, o projeto tem “quebrado” não apenas os muros da escola, mas se espalhado por diferentes cidades e até mesmo países. Para o ano de 2018, além da possibilidade de mais exemplares serem impressos, há muitas ideias e projetos para os alunos e professores da Escola Anne Frank: a HQ será apresentada, por exemplo, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em congressos da área de educação e em um museu de Belo Horizonte.

 
Você conhece um projeto protagonizado por crianças e jovens que está transformando a escola e a comunidade?

As inscrições para o Desafio Criativos da Escola 2018 vão do dia 18 de abril até o dia 1 de outubro de 2018. Clique aqui, confira o regulamento e inscreva-se!
Redação: Mariana Della Barba
Edição: Gabriel Maia Salgado
Imagens: Divulgação

3 Comentários
  1. Quero fazer esse curso, como proceder?

    • Olá Rosângela, tudo bem?

      Você se refere a qual curso exatamente?
      Tem relação com este projeto finalista do Desafio Criativos da Escola 2017?

      Para mais informações ou dúvidas, pode mandar mensagem também para nosso e-mail:
      contato@criativosdaescola.com.br

      Abraços!!

  2. Quando se tem um professor de olhar sensível, consegue-se educar para vida. As vida de todos os participantes foram marcadas de maneira positiva. Parabéns professor Moacir!

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