Coronavírus: o que aprendemos com estudantes para ajudar na crise de saúde

Coronavírus: o que aprendemos com estudantes para ajudar na crise de saúde

Projetos de estudantes ensinam cuidados com alimentação, atenção com doenças que já afetam comunidades e necessidade de ações em prol da saúde mental de adolescentes

A cada dia aumenta o número de pessoas infectadas pelo Coronavírus (Covid-19) no Brasil. A situação já é considerada uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Com isso, as escolas paralisaram as aulas; há um menor contato físico entre os amigos e, em alguns casos, acontece também uma reorganização dos projetos e atividades, que, quando possível, passam a ser feitos de maneira virtual.

Pensando nesse contexto, nós, do Criativos da Escola, compartilhamos aqui alguns aprendizados que tivemos com crianças e jovens de várias regiões do Brasil, onde a questão de saúde aparece das mais diversas formas. Seja por meio da alimentação, do autocuidado, ou mesmo por meio da proteção da natureza esses estudantes têm pensado soluções para problemas que afetam diretamente suas comunidades. Confiram:

  1. Alimentação saudável para cuidar da imunidade

Em tempos de doenças com alto risco de contaminação, uma alimentação saudável pode ser um dos caminhos possíveis para aumentar a imunidade, entre outras precauções que devem ser tomadas, como higienizar as mãos e evitar aglomerações.

Pensando na questão alimentar, aprendemos com o projeto AgroSaúde”, de estudantes da EEEP Guilherme Teles Gouveia, de Granja (CE), quão importante é pensar o alimento conectado à natureza. O grupo criou um projeto para conscientizar agricultores locais sobre o uso de agrotóxicos e como poderiam utilizar outras alternativas no combate às pragas. 

Quatro estudantes estão apontando para um computador em uma sala com outros estudantes

Alunos criaram alternativas aos agrotóxicos/Divulgação

Como isso se conecta ao momento atual? A OMS estima que, a cada ano, entre três e cinco milhões de pessoas são contaminadas por agrotóxicos em todo o mundo. No Brasil, eles representam a terceira maior causa de intoxicação, vitimando principalmente os trabalhadores rurais. Para o consumidor, o perigo está no consumo de vegetais com resíduos de substâncias químicas que podem ocasionar graves danos à saúde. 

Diante disso, o projeto dos estudantes de Granja (CE) ofereceu oficinas em comunidades locais com orientações quanto ao uso de EPI, manuseio do produto e utilização de defensivos alternativos que não tragam riscos à saúde e nem agridam o meio ambiente. Além disso, houveram campanhas e palestras em unidades de ensino sobre os perigos do uso de agrotóxicos. 

Dicas do que aprendemos com o “AgroSaúde” e que podemos fazer mesmo online:

  • Mobilizar a comunidade sobre questões de alimentação e saúde por meio de campanhas virtuais;
  • Mostrar alternativas possíveis ao uso dos agrotóxicos, como alimentos orgânicos e/ou produzidos por agricultores locais (sempre que possível);
  • Evitar alimentos industrializados.

 

  1. Não esquecer dos outros riscos à saúde

Para além do coronavírus, há ainda no Brasil e outros lugares do mundo diversas doenças que colocam em risco a saúde e a vida de muitas famílias e comunidades. Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado a alta taxa de casos de dengue, por exemplo, fazendo com que grupos de estudantes, nas mais diferentes regiões do país, criassem caminhos para falar e atuar sobre o assunto em suas comunidades e escolas.

Três meninas e uma mulher sorriem posando para a foto em um espaço ao ar livre

Jovens criam projeto de combate à dengue na comunidade/Divulgação

Exemplo disso são os jovens da ETEC Monsenhor Antônio Magliano, em Garça (SP), que organizaram diversas ações de conscientização e combate ao Aedes Aegypti na região por meio do Projeto “Ensino Conectado à Saúde“.

O que aprendemos e como vocês também podem readaptar para os dias de quarentena, em casa:

  • Distribuir cartilhas informativas (no atual momento, é possível criar informações e divulgá-las de modo virtual); 
  • Realizar conversas com colegas de outras escolas (pode ser por meio do Whatsapp, Instagram, Facebook ou outras redes sociais); 
  • Criar um blog ou página nas redes sociais com informações sobre a doença para comunicar sua comunidade ou escola; 
  • Elaborar um jogo online ou mesmo um aplicativo informativo para crianças sobre os riscos da doença. 

 

  1. Cuidado com os idosos

Um dos maiores grupos de risco no caso de contaminação por coronavírus são os idosos, ou seja, aqueles com mais de 60 anos. A exemplo do cuidado que se deve ter com esse grupo, os alunos do Colégio Estadual Professor Ivan Pereira de Carvalho, em Camocim (CE), desenvolveram uma série de ações para cuidar e valorizar a vida dos mais velhos na comunidade, com o projeto “Não nos esqueça”. Além de produzirem um livro e um documentário para relatar suas biografias, eles organizaram uma campanha de arrecadação de medicamentos e materiais de uso para idosos em situação de vulnerabilidade social.

Um senhor e uma senhora seguram duas folhas verdes de papel

Projeto priorizou o cuidado com os idosos da comunidade/ Divulgação

Dicas de ações que podem ser feitas em prol dos idosos de sua região:

  • Fazer ligações a pessoas idosas que, neste momento, podem estar em situação ainda maior de isolamento ou até mesmo abandono;
  • Auxiliar em tarefas que precisam ser feitas fora de casa (compra em supermercado, passear com animal de estimação, compra de remédios na farmácia etc);
  • Campanha de comunicação online voltada a cuidados que as demais pessoas devem ter com os idosos.

 

  1. Autocuidado com mente e corpo 

Nesses tempos em que somos obrigados a ficar dentro de casa, é muito importante que se exerça o autocuidado e a atenção com nossa mente e corpo. Por todo o país, autoridades têm determinado que as escolas e os comércios sejam fechados. Em alguns casos, educadores e estudantes estão continuando o ano letivo de modo virtual, o que exige outras formas de organização e também de cuidado.

Um grupo de estudantes de Campo Bom (RS) criou o aplicativo para celular “Tigre Branco“, que tem como função principal refletir sobre a autoestima e o cuidado consigo próprio para, então, conseguir acolher e cuidar do restante do grupo que integra. A iniciativa foi uma das premiadas na edição de 2018 do Desafio Criativos da Escola.

O autocuidado e o cuidado com o outro são temas do app Tigre Branco/Divulgação

O autocuidado e o cuidado com o outro são temas do app Tigre Branco/Divulgação

Relacionando-se com os dias atuais, nos quais evitar sair de casa é um jeito de cuidar do outro, nós aprendemos com o projeto:

  • É importante reservar para si um momento de reflexão e cuidado mental;
  • Realizar exercícios físicos é um jeito de cuidado pessoal;
  • Para cuidar do outro, precisamos estar bem com a gente mesmo.

 

  1. Atenção a casos de doenças psicológicas de crianças e adolescentes 

Diante de um involuntário isolamento pelos riscos de contágio do vírus, muitas pessoas podem se sentir sozinhas, deprimidas ou ansiosas. A abertura de espaços de diálogo e escuta se tornam importantes nesse momento, para que, além de cuidar de nós mesmos, também possamos apoiar uns aos outros e também procurar por ajuda profissional, quando necessário. 

Um exemplo disso é o projeto “Luz na Escuridão”, dos alunos e alunas da EEM Professora Marieta Santos, de Bela Cruz (CE). Os estudantes perceberam que os colegas estavam passando por alguns problemas, como depressão e automutilação, e criando espaços de acolhidas que envolvem também profissionais no assunto. Para abrir um canal direto com os amigos, criaram uma página no Instagram, onde as pessoas podem procurá-los para pedir ajuda para encontrar espaços de tratamento.  O que aprendemos para esses tempos

  • Abrir espaços de diálogo para as pessoas dizerem como se sentem;
  • Sermos empáticos às diferenças e sentimentos dos outros;
  • Procurar um profissional da saúde mental para auxiliar quando preciso.

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