Palmares Vive

Palmares Vive

Alunos realizam Fórum Participativo e envolvem comunidade em discussões sobre melhorias no bairro Vila dos Palmares, em São Paulo (SP)

“Sempre gostei da escola, mas sinto que agora a gente tem mais foco para lutar pelos nossos direitos”, conta Cícero Silva, 16 anos, aluno da EMEF Marili Dias, localizada no bairro Vila dos Palmares, na periferia de São Paulo (SP). Ele e mais 19 colegas do ensino fundamental e médio decidiram realizar um Fórum Participativo, envolvendo a comunidade escolar, os moradores e as autoridades políticas e culturais da região.

O Fórum surgiu a partir de debate sobre as dificuldades e problemas que enfrentavam no bairro e, segundo Cícero, foi necessário bastante energia para aproximar as pessoas do entorno e a escola. “O maior desafio foi conseguir convencer a comunidade que a participação deles era importante, que com eles a gente poderia avançar mais”, lembra o estudante.

A partir de um primeiro Fórum entre os estudantes, o grupo definiu quais seriam suas prioridades e passou a organizar o evento “Fuzuê os Palmares”. O 1º Fuzuê contou com um Fórum Participativo com a comunidade que orientou a mostra de fotografia chamada de “Palmares Vive”, com imagens dos problemas do bairro.

Entre as atrações do encontro ocorrido na EMEF, os visitantes puderam, também, participar de oficinas de grafite e xilogravura, além de acompanhar um cortejo de maracatu e responder uma enquete sobre quais seriam as questões que deveriam nortear o Fórum. Ao todo, a enquete contou com 627 respostas.

Entre 2014 e 2015, os alunos fizeram quatro edições do Fuzuê. A mobilização a partir do Fórum foi tão grande que, em parceria com a subprefeitura de Perus, o grupo conseguiu asfaltar parte do bairro, construir calçadas e instalar postes de luz em ruas que até então estavam sem iluminação. Atualmente, os alunos continuam colocando em prática outras ações para valorizar a escola e o bairro.

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Como tudo começou

As ações protagonizadas pelos estudantes recuperaram o orgulho pelo bairro e transformaram a EMEF Marili Dias em lugar de debate com a comunidade, mudando a imagem da escola que era conhecida desde sua inauguração, em 2008, por receber apenas alunos considerados “problemáticos”.

Esse estigma marcou o começo da instituição e desafiou os professores a buscar soluções para mudar a forma como a escola era vista. Uma das ideias sugeridas foi promover um memorial das biografias do bairro a partir de uma pesquisa sobre os nomes das ruas da Vila dos Palmares. No entanto, quando os alunos saíram a campo, o que realmente os incomodou foi a sensação de abandono que experimentavam no lugar, aliada à vontade de transformar a comunidade.

“A gente foi fazer a pesquisa, mas como moramos aqui, acabamos vendo a importância de trabalhar com outras questões. Nós vimos os problemas”, explica Cícero, ao citar o que motivou a realização do fórum com a comunidade. A professora de história, Sandra Santella, que coordena o projeto, logo concordou com seus alunos. Segundo ela, “eles reclamaram porque queriam que algo melhorasse no bairro”. E completa: “a gente tem que dar voz para que eles falem sobre o que os incomoda mesmo”.

Nas ondas do Marili

Para manter o envolvimento da comunidade, os alunos criaram uma página no Facebook e o jornal mural “Nas Ondas do Marili”. Segundo os participantes do projeto batizado de “Palmares Vive”, as visitas realizadas durante o projeto tiveram um forte apelo social e todos passaram a questionar sua própria condição enquanto sujeitos políticos e a reconhecer suas próprias identidades. Para Cícero, “envolver família, pais, amigos e toda a comunidade não deixa de ser um desafio, mas deixa o trabalho maior e é importante para todos”.  

A professora Sandra segue orgulhosa ao perceber a evolução dos alunos: “vejo estudantes com senso crítico apurado, protagonistas e com aspirações de mudança”. Já Cícero, dá a dica para os alunos que desejam transformação. “Corram atrás, busquem muitas parcerias dentro da escola e não tenham medo”, finaliza.

 

1 Comentário
  1. A escola precisa respeitar o aluno, entender que não são receptáculos de saberes dispersos. O olhar, os desejos, a vivência, o interesse, os questionamentos. O currículo pode contemplar estes anseios, mas não pode ser engessado, priorizado sobre outras demandas. assim se constrói a escola que desejamos!!!

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