No rastro do mosquito

No rastro do mosquito

Estudantes do ensino médio de Goiânia (GO) utilizam conhecimentos multidisciplinares e criam robô para combater o transmissor da dengue: o mosquito Aedes Aegypti

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que ocorreram 266 mil casos de dengue no Brasil somente em 2018. Deste total, a região Centro-Oeste lidera a incidência no país, somando 102 mil pessoas infectadas pelo vírus. Além disso, os dados apontam 13 mil casos de Chikungunya e 1,7 mil de Zika na região. Todas essas doenças têm um transmissor em comum: o mosquito Aedes Aegypti.

Foi justamente com o objetivo de buscar alternativas para combater essas doenças presentes em suas vidas que um grupo de estudantes do ensino médio da Escola Sesi Campinas, em Goiânia (GO), decidiu agir: realizou uma série de pesquisas que resultaram, no final, em diversos instrumentos de combate ao Aedes Aegypti. Um deles foi a construção de um robô, em formato de girassol, que capta a frequência luminosa mais propícia à reprodução do mosquito.

 

Esta iniciativa foi finalista da premiação Desafio Criativos da Escola 2018. Confira aqui os demais finalistas.

 

Robô criado por estudantes ajuda no combate de mosquito da dengue

Robô criado por estudantes ajuda no combate de mosquito da dengue.

“O principal [instrumento] do robô é o sensor de luz. Ele capta uma certa frequência, que no caso é a frequência que o mosquito se adapta melhor, que é próximo a uma luz fluorescente. O robô identifica os locais [mais favoráveis ao mosquito] para a gente posicionar as armadilhas”, explica o estudante Wilson Gomes Nogueira Júnior, atualmente no 2º ano do ensino médio.

As armadilhas, no caso, foram construídas com garrafas PET. Os estudantes cortaram os plásticos ao meio, colocaram telas feitas com meias e adicionaram rações de gatos e água para atrair os mosquitos. Quando as larvas da dengue se transformavam no próprio mosquito, elas não conseguiam sair do local devido à tela de proteção.
Combatendo uma epidemia
De acordo com o aluno Wilson, os estudantes se reuniram no início de 2018, quando realizaram uma pesquisa interna entre os próprios colegas e constataram um número elevado de contaminação por dengue. “Goiânia é um dos principais locais que ocorrem essas epidemias. Eu, inclusive, já tive dengue. Nós fomos nas salas e perguntamos quem já tinha tido problema de dengue, e foi mais da metade dos alunos de toda a escola que já tinha sido infectado ou que já havia presenciado um caso infecção pelo vírus na família”, recorda.

Como alternativa, além da criação do robô, o grupo descobriu no interior do estado, na cidade de Crixás, um eficiente modo de combate do mosquito por meio da botânica. Em diferentes locais do município é possível encontrar a Crotalária: planta que atrai as libélulas que são predadoras naturais do mosquito Aedes Aegypti. “Foi a coisa mais interessante que eu vi nesse projeto. A gente distribuiu sementes para estudantes e pessoas que moravam na região, além de professores. E plantamos muitas [Crotalárias] na escola também”, conta Wilson.

 

Leia também quem foram os premiados no Desafio Criativos da Escola 2018 e inscreva-se na premiação do Desafio 2019.

 

Desta forma, o projeto conseguiu conscientizar e criar soluções práticas contra essas doenças que afetam milhares de pessoas anualmente na região. Segundo o estudante, a iniciativa impactou também os próprios estudantes envolvidos no grupo. “Particularmente, foi muito importante para mim. [Antes de nossa ação], eu saia da escola, vinha pra casa e ficava o dia todo sem fazer nada. E o projeto me ajudou muito, porque eu sabia que o que eu estava fazendo era útil”, reconhece.

 

Alunos cultivam planta que atrai predador natural de Aedes.

Alunos cultivam planta que atrai predador natural de Aedes Aegypti.

Mobilizando a comunidade
Na opinião do professor de biologia Ednaldo Oliveira, um dos responsáveis pela orientação dos alunos, um dos pontos fortes do projeto foi o envolvimento dos pais e do corpo docente no seu desenvolvimento. “Esse projeto foi o mais difícil, mas o que me deu mais alegria em trabalhar. Quando a iniciativa alcança a comunidade, muitos pais passam a se envolver mais com a escola. O interesse de plantar, de olhar para o robô, de cuidar da casa deles foi algo surpreendente para nós. E pensar que, no início a gente pensou que o projeto ficaria somente com os alunos”, relata o educador.

Durante o desenvolvimento da iniciativa que foi chamada de “Projeto Consciência: na luta contra o Aedes Aegypti”, os estudantes entraram em contato com a Secretaria Municipal de Saúde e com o Centro de Zoonoses de Goiânia com o intuito de expandir as experiências à população da cidade. De acordo com Ednaldo, a ideia é levar o plantio de Crotalária a outros locais da cidade, mas a iniciativa ainda aguarda autorização dos órgãos responsáveis da Prefeitura.

 

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Redação: Guilherme Weimann

Edição: Gabriel Maia Salgado

Imagens: Divulgação

1 Comentário
  1. Iniciativas como estas (o desafio) são incríveis por resultar em benefício que vem em mão dupla: os alunos participantes empderam-se ao perceber que, mesmo tão jovens, já podem contribuir com soluções a nível de saúde pública e a própria sociedade ganha alternativas para combater problemas como o da dengue, tão presente há tempos. Parabéns!!!

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