Libras: a voz do silêncio

Libras: a voz do silêncio

Estudantes de Itapeva (SP) mobilizam colégio, conquistam aulas de Libras e ambiente escolar mais inclusivo

O que era para ser um dia comum no centro de Itapeva (SP), cidade com cerca de 90 mil habitantes, se tornou um marco para os membros da Escola Municipal Dom Sílvio Maria Dário.

De forma inesperada, 300 pessoas, entre alunos e educadores do colégio, entraram pela rua Lucas de Camargo em total silêncio e, segurando cartazes e faixas, chamaram a atenção dos comerciantes e dos que passavam pelo local durante todo o percurso. Uma das ações do projeto “Libras: a voz do silêncio”, premiado no Desafio Criativos da Escola 2016, a passeata foi realizada com o objetivo de destacar a importância da educação inclusiva para os estudantes da cidade. (Clique aqui e confira como foi a premiação e a vivência do Desafio Criativos da Escola 2016)libras_6

A mobilização que começou dentro da sala de aula com os alunos querendo incluir um novo colega de classe surdo, tem atingido a comunidade e impactado positivamente todo o ambiente escolar. Além da boa repercussão da passeata silenciosa, o projeto feito pelos alunos do 6º ano do ensino fundamental já garantiu aulas semanais de Língua Brasileira de Sinais (Libras) para toda a turma.

“O Rafael ficava muito sozinho fazendo as atividades, não brincava nem nada, então a gente sentiu que deveria falar com ele”, conta sua colega de sala Emilly dos Santos. Para poder se comunicar com o novo aluno Rafael Pereira, que é surdo, os estudantes mobilizaram todo o colégio e conseguiram conquistar as aulas de Libras e, consequentemente, um ambiente escolar mais inclusivo.

 

Libras para toda a escola

Durante as aulas, Rafael era acompanhado pela educadora intérprete de Libras, Juliana de Mattos, mas a interação com os demais alunos era limitada e trouxe uma inquietação generalizada em toda a turma.

Diante desse contexto, os estudantes tiveram uma ideia: “e se nós também aprendêssemos a falar por meio de sinais para nos comunicarmos com o Rafael?” A partir de conversas com a intérprete Juliana, com a professora de português Luciana Fascetti e com direção da escola, os alunos conseguiram que fosse incluída na grade curricular da classe uma aula de Libras por semana.“Primeiro aprendemos o alfabeto e os números, depois os meses, as cores, os materiais e outros sinais. Então começamos a conversar mais com o Rafael e não deixar mais ele sozinho”, explica Emilly. Libras_11

Para sensibilizar a comunidade, a turma desenvolveu ações em eventos culturais do colégio, incluindo a interpretação de músicas e brincadeiras em Libras. Mas queriam ir além e organizaram a passeata silenciosa, percorrendo o trajeto da escola até o coreto na praça central da cidade. “A gente imaginava que ia mudar a nossa sala, mas não que ia impactar a escola inteira, que todos iam colaborar e acolher nosso projeto”, avalia o estudante Gabriel Santos.

 

Conquistas e aprendizados
Em menos de um ano de realização do projeto os estudantes puderam reunir diferentes aprendizados. “A gente colocou a inclusão na nossa escola. Antes quase ninguém sabia Libras e as pessoas não se comunicavam com o Rafael. Agora todo mundo está envolvido”, conta Emilly. E completa: “hoje o Rafael participa de todas as atividades. Ele sempre está no meio aprendendo e ensinando a gente. Quando fazemos algum sinal errado, por exemplo, ele nos corrige”.

Outro resultado inesperado, segundo a professora e intérprete de Libras, Juliana, é que a partir do projeto “toda e escola começou a olhar com mais carinho para os alunos que apresentavam necessidades especiais, não somente surdez”.

Com a escola e a comunidade sensibilizadas para a garantia de uma educação mais inclusiva, o grupo segue mobilizado para que os demais alunos das outras séries também possam ter as aulas de Libras, que, até o momento, são oferecidas apenas a turma de Rafael. Além disso, o grupo quer desenvolver jogos para ensinar a linguagem de sinais de forma lúdica, e que os próprios alunos possam ser multiplicadores, aprendendo e ensinando uns aos outros.”O importante não é só saber Libras, mas também trabalhar a inclusão no colégio para que os alunos [com deficiência auditiva] se sintam bem na escola” opina Gabriel.

 

Assista ao vídeo do estudantes do projeto Libras: a voz do silêncio:

 

Veja mais fotos da iniciativa:

Foto: Saulo Brandão

Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

Foto: Saulo Brandão
Foto: Divulgação

Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

Foto: Divulgação
Foto: Vivência Criativos da Escola 2016/Divulgação

Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

Foto: Vivência Criativos da Escola 2016/Divulgação
Foto: Divulgação

Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

Foto: Divulgação
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Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

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Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

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Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

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Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

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Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

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Foto: Vivência Criativos da Escola 2016/Divulgação

Projeto "Libras: a voz do silêncio" - Itapeva (SP).

Foto: Vivência Criativos da Escola 2016/Divulgação

Redação: Vanessa Ribeiro

Edição: Gabriel Maia Salgado

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